Liderança tóxica inconsciente

Continuando as postagens sobre Liderança tóxica (veja o primeiro post aqui), vamos introduzir o conceito de “Liderança tóxica inconsciente“. Se as atitudes são praticadas de forma inconsciente, a correção de rota pode acontecer com uma boa conversa ou feedback vindos de superiores hierárquicos, pares e/ou liderados. Com pré-disposição, mudança de atitude e uma dose de empatia, é possível reverter a situação e sair do estigma de “tóxico” para “inspirador” em pouco tempo.

“Nunca vou esquecer um dia em que minha equipe me chamou para uma reunião. Eles tinham algo importante para me dizer. Confesso que fiquei assustada. Fomos todos para a sala de reuniões.

Por um momento eu me senti em um paredão e imaginei que seria bombardeada. O que eles tinham para me dizer era que precisavam que eu mudasse meu comportamento.

‘Mas mudar exatamente o quê?’

‘Você nos interrompe o tempo todo.’

‘Eu faço isso?’

‘O tempo todo.’

Seu eu falasse que fazia mesmo e nunca tinha percebido, talvez ninguém acreditasse. Naquele dia minha atitude foi me desculpar e pedir ajuda. Afinal, se eu faço algo que não percebo, como vou parar de fazer?

Criamos juntos um mecanismo de privacidade muito legal. Tipo uma plaquinha com cores verde e vermelha que ficava colada em cima da tela do computador. Eu as conseguia ver de longe. Se estivesse verde, significava que eu poderia ir até lá. Se estivesse vermelho, eu não poderia interromper.

A experiência rendeu muitos frutos, porque todos passaram a respeitar muito mais a privacidade do outro, inclusive a minha. E encaramos tudo isso com bom humor, foi até engraçado porque não foram poucas as vezes em que me aproximei e dei meia volta. A única regra era que o vermelho não poderia ultrapassar mais de 50% do tempo total do dia de trabalho. Depois de algum tempo, recebi até elogios da equipe, e hoje é algo que não preciso mais policiar em meu comportamento. Eu não fazia por mal. Eu queria ser útil, queria resolver, estar presente, ajudar e servir. E estava sendo tóxica. Ainda bem que tive uma equipe que veio conversar comigo sobre isso. Mas eu sempre fui acessível. E isso também pode fazer muita diferença.”

Trecho do livro Liderança Tóxica, ASSAD (2017)

O exemplo acima representa uma forma ingênua de toxicidade: por demonstrar total disponibilidade e boa vontade em ajudar, a líder acabou interrompendo demais a equipe, afetando não somente o desempenho, como também o clima organizacional. 

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